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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Eles tiveram de me engolir!


Não, desta vez não foi o Zagalo. Segundo o jornalista Celson Sabadin em reportagem para o site Cineclick, foi o que Xuxa disse a outro jornalista presente na cerimônia de entrega do prêmio especial do Festival de Gramado, relativo a importância de sua obra.



Olha sem querer ofender a Xuxa, mas a obra cinematográfica dela está mais para o significado arcaico da palavra. É só assistir a Carlota Joaquina para saber o que significa obrar.



A única coisa que eu queria que ela me ensinasse é achar alguns otários que me pagassem essa baba e ainda por cima me homenagearem.



Se o intuito dos organizadores do Festival foi simplesmente chamar atenção, eles conseguiram. Se isso será benéfico para o cinema nacional, veremos.



Se bem que em matéria de bilheteria os filmes da Xuxa são sempre recordistas, o que prova mais uma vez que se a voz do povo é a voz de Deus, estamos todos perdidos.



Eu recomendo um filme da Xuxa, "Amor, Estranho Amor", excelente pedida para o fim-de-semana. Só não deixe os baixinhos assistirem.

sábado, 13 de junho de 2009

Hello Doll-e.

A cada filme que produz, a Pixar se supera e Wall-e não foge a regra.

Na trama, um robô e uma barata são os últimos habitantes da Terra. A terra foi abandonado pelos humanos, porque estava tão cheia de lixo que ficou impraticável sobreviver nela. A raça humana vivem vagando no espaço em gigantescas naves, esperando que o planeta seja limpo.

Último de uma linhagem de robôs compactadores de lixo, Wall-e é um colecionador de objetos usados e um grande fã do musical Hello Dolly. Sua vida muda quando um outro robô chega para verificar se é viável que a humanidade volte a habitar o planeta.

Como em todos os seus filmes, a discussão sempre é, será que estamos vivendo bem? A resposta que temos até o momento é não. Os questionamentos vão desde o descaso com a natureza, a postura individualista, até a utilização da tecnologia para intermediar relacionamentos.

O mais interessante em tudo isso é que os filmes são destinados ás crianças, mas acabando atingindo em cheio, os adultos que levam seus filhos ao cinema ou alugam o filme, pois sempre tratam de temas com os quais nos preocupamos todos os dias e nesse caso, o tema é: que mundo deixaremos para nossos filhos?

Imagens: Google.

domingo, 7 de junho de 2009

...e o tempo não levou.


Talvez o primeiro filme que traduza o significado da palavra épico. Grandioso, grandiloqüente, gigante, fabuloso, fantástico e outros adjetivos sempre são utilizados quando se fala de “...E o Vento Levou.” Muitas vezes nenhum deles consegue traduzir tudo o que o filme representa para o cinema. Baseado no romance da escritora americana Margaret Mitchell, considerado infilmável por muitos estúdios, mas foi levado a cabo pela teimosia de David O. Selznick. O produtor ficou com tantas dívidas após o filme, devido aos impostos sobre um êxito tão grande, que quase foi a falência. Conseguiu se recuperar, mas nunca mais conseguiu um sucesso igual.

Passado na época da Guerra da Secessão, um capítulo triste na história dos Estados Unidos, o filme começa com uma grande festa no sul dos Estados Unidos, que era a favor da manutenção da escravidão e desafiava o desenvolvido norte do país. Na verdade os sulistas tinham convicção que venceriam a guerra, mas não sabiam que seus recursos não seriam suficientes para manter um conflito muito longo.

Neste cenário é que surge a mimada Scarlett O’Hara, interpretada pela belíssima inglesa Vivien Leigh. Filha do poderoso fazendeiro Gerald O’Hara (Thomas Mitchell), Scarlet é cobiçada por todos os rapazes da sua cidade e utiliza isso para seu proveito próprio. Porém aquele que ela ama já está prometido a outra moça, a recatada e boa moça Melanie Hamilton (Olivia de Havilland). Ashley Wilkes é herdeiro da fazenda Twelve Oakes e um dos poucos que enxerga o fracasso na empreitada de vencer o sul, mas não desiste de seus pares e parte para a guerra.

Enquanto declara seu amor por Ashley Wilkes escondida na biblioteca da fazenda de Twelve Oakes, Scarlett conhece por acidente o aventureiro Rhett Butler (Clark Gable), que também fica hipnotizado pela beleza de Scarlett, mas não sabe que tentará até o fim da história conquistar seu amor.

Estes são os principais personagens desta história que mostra o que aconteceu antes, durante e depois da Guerra da Secessão e de como os americanos se dividiram em ganhadores e perdedores. Talvez daí tenha surgido a divisão dos valores americanos e sua eterna divisão entre winners e losers, hoje sendo utilizada para determinar os que têm e os que não têm dinheiro.

Mas a estrela principal que conduz a narrativa é Scarlett O”Hara, antes da guerra ela é uma menina mimada que enxerga apenas seu desejo de casar com Ashley Wilkes e para isso fará de tudo. Durante a guerra, a realidade se impõe e mesmo tentando fugir dela de diversas formas, Scarlett se rende, principalmente à fome, e faz o famoso juramento por Tara, que traduz uma Scarlett madura, mas que ainda mantêm a sua essência voluntariosa. Após a guerra, Scarlett ainda tenta de todas as formas conquistar Ashley Wilkes, mesmo casando duas vezes, apenas para manter-se rica e poderosa.

O interessante é que a única pessoa realmente pura e boa do filme é a personagem de Olívia de Havilland, Melanie Hamilton, que passa o filme inteiro sendo ajudada e ajudando Scarlett O’Hara e mesmo sabendo que a amiga cobiça seu marido, continua sendo fiel a seus princípios, perdoando-a quando toda a sociedade conservadora sulista se volta contra Scarlett. Mesmo assim ela é única do elenco central que morre durante o filme.

Rhett Butler (Clark Gable) também sofre o diabo na mão de Scarlett, sempre tentando a todo custo conquistar o amor da empedernida moça sulista. Mas no final percebe que não conseguirá seu intento e ao sair de casa profere uma das frases mais famosas do cinema: “Sinceramente querida, eu não dou a mínima.”.

Scarlett O’hara representa a anti-heroína americana, surgida no pós-guerra que faz de tudo para sobreviver, Melanie Hamilton representa a bondade que nunca vence e Rhett Butler representa o aventureiro que nunca conseguirá ser um cidadão modelo, mesmo tentando muito.

Enfim, um filme maravilhoso que faz valer à pena suas mais de quatro horas de projeção. Dificilmente acontecerá um filme como esse na Hollywood de hoje. Talvez o último tenha sido Titanic, com a grandiosidade do primeiro, mas sem a profundidade de “...E o Vento Levou.”.

Ficha Técnica: …Gone With The Wind. (1939) Direção: Victor Fleming (Sam Wood e George Cukor, não creditado), Roteiro: Sidney Howard – Elenco: Clark Gable, Vivien Leigh, Olivia de Havilland, Leslie Howard, Thomas Mitchell, Barbara O’Neil, Victor Jory, Evelyn Keyes, Hattie McDaniel, Ann Rutherford, George Reeves, Fred Crane e Ona Munson.

Fonte: Coleção Folha Clássicos do Cinema.
Imagens: Google.

Sete Samurais e um Destino


Akira Kurosawa é um mestre do cinema mundial. Seus filmes são conhecidos e reconhecidos com obras de arte imortalizadas em celulóide. Nenhum outro foi tão influenciador do cinema como “Os Sete Samurais”.

No Japão medieval, uma aldeia de agricultores não suporta mais ser atacada por bandoleiros que arrasam suas casas, molestam suas mulheres e saqueiam suas plantações. Para tentar por um fim neste ciclo vicioso, os fazendeiros decidem contratar samurais para defender a aldeia.

Após muito procurar eles encontram o honrado Kambei (Takashi Shimura) que aceita a missão e a incumbência de encontrar os outros seis samurais. Dentre eles destaca-se Kikuchiyo (Toshiro Mifune), um fazendeiro fantasiado de samurai que faz o contraponto entre os destemidos e sistemáticos samurais, mostrando uma personalidade mais brincalhona e impetuosa.

Este épico repleto de cenas de ação memoráveis, eventos dramáticos pungentes e momentos de alívio cômico sensacionais, gerou um remake americano muito lembrado por todos, “Sete Homens e Um Destino”, estrelado por Yul Brinner, Charles Bronson e James Coburn, que não se compara em grandiosidade ao filme de Kurosawa. Além deste, vale ressaltar que a maioria dos filmes que apresentam o recrutamento de equipes de especialistas para alguma missão, bebem na fonte de “Os Sete Samurais”.

O mais interessante no filme de Kurosawa é que em 1954, com os recursos da época, ele conseguiu fazer um filme perfeito, tanto nos figurinos, quando nas locações, sem contar é claro com os magníficos atores que representaram tão bem seus pápeis. Alugue agora ou compre o DVD, pois este é um filme que vale a pena ser visto pelo menos uma vez por ano.

Ficha Técnica: Shichinin no Samurai (1954) Direção: Akira Kurosawa, Roteiro: Shinobu Hashimoto, Akira Kurosawa, Hideo Ogumi – Elenco: Takashi Shimura, Toshiro Mifune, Yoshio Inaba, Seiji Miyaguchi, Minoru Chiaki, Daisuke Kato, Isao Kimura, Keiko Tsushima, Yukiko Shimazaki, Kamatari Fujiwara, Yoshio Kosugi, Bozuken Hidari, Yoshio Tsuchiya, Kokuten Kodo, Jiro Kumagi.

Fonte: DVD da Continental Home Vídeo e 1001 Filmes para Ver Antes de Morrer – Ed. Sextante.Imagens: Google.

Os Doze Imundos.


Doze militares condenados a morte são recrutados para uma missão suicida durante a Segunda Guerra Mundial. Com essa premissa, o diretor Robert Aldrich, realiza um filme que pode gerar as mais diversas interpretações. Uns dizem que o filme é fascista, outros que é uma grande ironia sobre a guerra e suas mazelas. Para mim é um filme de ação espetacular, que reuniu um elenco que pareceu talhado para a trama.

Lee Marvin é o major John Reisman, um outsider dentro do exército que não respeita a autoridade e vive questionando as ordens. Com esta missão os militares imaginaram que se livrariam de dois problemas, mas não imaginaram que o Major levaria sua missão até o final, mesmo com a dificuldade de comandar um bando desajustado como o que recebeu.

Charles Bronson é o espelho do Major Reisman. Não respeita a autoridade, mas não se acovarda frente a uma missão.

O ex-jogador de futebol americano Jim Brown é o soldado Robert T. Jefferson, que representa a força da equipe de condenados.

John Cassavetes é Victor P. Franko, o rebelde do grupo. Cassavetes é conhecido na vida real por ser um premiado produtor e diretor de filmes independentes, que nunca deu certo em grande estúdios.

Donald Sutherland é o bobalhão da equipe Vernon L. Pinkley.

Telly Savalas é o maluco de plantão Archer J. Maggott, que fica maluco no momento mais inoportuno do filme.

Trini Lopez, Ralph Meeker, Richard Jaeckel, Clint Walker, Robert Webber, Tom Busby e Bem Carruthers, completam o elenco.

Um filme de anti-heróis que mostra como o discurso militar sobre paz e liberdade, passa sempre sobre incontáveis mortes e estratégias sem nobreza alguma.

Ficha Técnica: The Dirty Dozen (1967) Direção: Robert Aldrich, Roteiro: Nunnally Johnson e Lucas Heller – Elenco: Lee Marvin, Ernest Borgnine, Charles Bronson, Jim Brown, John Cassavetes, Donald Sutherland, Telly Savalas, Richard Jaeckel, Trini Lopez, Ralph Meeker, George Kennedy, Robert Ryan, Clint Walker, Robert Webber, Tom Busby, Ben Carruthers.

Fonte: Coleção Folha Clássicos do Cinema.
Imagens: Google.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Indestrutível.


Quando falamos em filmes de super-heróis, sempre nos lembramos daqueles que adaptam histórias extraídas diretamente dos quadrinhos, a sopa primordial de onde surgiram estes estranhos seres que usam a cueca por fora da calça. Porém, um filme lançado em 2000 pelo cineasta sensação daquela época, M. Night Shaymalan, diretor do sucesso Sexto Sentido, filme que resgatou a carreira do ex-astro de ação Bruce Willis, é uma das maiores homenagens feitas ao gênero.

Uma mulher dá à luz ao seu filho numa loja de departamentos e aguarda a chegada da ambulância. Quando o médico chega para verificar as condições de saúde da mãe e da criança, deixa todos chocados ao informá-los que o bebê estava com os braços e pernas quebrados. Um segurança do estádio da universidade da Filadélfia com o casamento em crise, viaja para Nova York procurando um novo emprego que o livrará do casamento sufocante. Na volta o trem no qual viajava, sofre um terrível acidente. Todos os passageiros morrem. Milagrosamente o segurança sai do acidente sem nenhum arranhão.

Assim começa o filme Unbreakable, batizado no Brasil como Corpo Fechado, numa tentativa de emular o título do sucesso anterior de Shaymalan, O Sexto Sentido. Não é um filme muito fácil de ser digerido pelo público que não está habituado com o status quo dos super-heróis, bem como com o perfil do fã de quadrinhos. Mas pra quem gosta do universo dos superseres o filme é um deleite.

O nascimento de Elijah Price, o bebê dos membros quebrados, acontece em 1961, ano no qual foi lançada a revista do Quarteto Fantástico e marco inicial da Marvel Comics, a maior editora de quadrinhos de super-heróis do mundo, criadora de personagens como Homem-Aranha, X-Men, Capitão América, Homem de Ferro, Hulk, Thor, entre outros.

Ainda na infância, Price (interpretado com a competência de sempre por Samuel L. Jackson) recebe o apelido de “Mr. Glass” ou “Sr. Vidro”, devido a sua delicada condição de fraqueza nos ossos. Este será seu codinome de vilão.

O nome do herói é David Dunn (interpretado por Bruce Willis, trabalhando pela segunda vez de forma consecutiva com o diretor), ou seja, segue a tradição iniciada por Jerry Siegel no Superman, com os coadjuvantes Lois Lane, Lana Lang e Lex Luthor e continuada com Stan Lee na Marvel, com Peter Parker, Bruce Banner e Reed Richards.

Quando trabalha como segurança, David Dunn usa um uniforme azul e um boné vermelho, além disso, ele usa uma capa, uma capa de chuva. De qualquer forma é uma capa.

O primeiro gibi que Elijah Price ganha é um exemplar de Active Comics, com a logomarca
estilizada na logotipia da revista Action Comics, onde surgiu o Superman.

Elijah Price tem uma loja especializada chamada Edição Limitada e numa cena memorável encarna o Fanboy primordial ao tentar provar para um inocente pai que quer de presente ao filho de cinco anos uma página original de uma HQ desenhada a lápis, que aquele simples desenho não é um brinquedo, é arte. Típico comportamento de todos os leitores de quadrinhos.

O herói não é indestrutível como o título do filme sugere. Assim como todo super-herói que se preze ele tem uma fraqueza, a água. Se entrar numa piscina ele se afoga, se beber água muito rápido engasga. Aí está a justificativa para a capa de chuva onipresente.

David Dunn é o estereótipo do loser, um promissor astro de futebol americano que vira segurança e que passa por uma crise no casamento. Só uma pessoa tem confiança no pai, seu filho de oito anos, uma homenagem aos sidekicks, ou ajudantes de heróis, como Robin, Kid Flash, Bucky Barnes, etc.

No final o herói e o vilão se encontram e se revelam um para o outro, ou seja, a equação da existência do super-herói se completa, sempre existirá um vilão para o herói e vice-versa.

A maioria das pessoas pode ter achado o filme uma verdadeira porcaria, mas todo fã de quadrinhos que se preza, comprou uma cópia do DVD e guarda na sua estante junto a todas as famosas e milionárias adaptações de Superman, Batman, X-Men e Homem-Aranha.

Ficha Técnica: Unbreakable (2000) Direção e Roteiro: M. Night Shyamalan – Elenco: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright Penn, Spencer Treat Clark e Charlayne Woodard.

Imagens: Google.

domingo, 26 de abril de 2009

Falar bem, é chover no molhado.

É difícil encontrar alguma pessoa que não conheça a inesquecível melodia principal do filme Cantando na Chuva, um dos musicais clássicos de Hollywood. Perfeito em todos os sentidos, este musical apresenta uma variedade de temas, envoltos numa atmosfera gostosa de ironia e graça, com números musicais perfeitos e atuações espontâneas de todos os atores. Temos a impressão que os atores estão felizes fazendo aquele trabalho. Mas lendo sobre a história do filme, sabemos que as filmagens foram extenuantes e alguns atores precisaram passar na enfermaria em algumas ocasiões.

A grande sacada do filme foi mostrar um fato real que abalou a indústria cinematográfica no final da década de 20, a chegada do filme falado, de forma leve e divertida. Quando os filmes mudos foram substituídos pelos falados, muitos dos atores que eram celebridades nos mudos, não conseguiram se adaptar ao cinema falado. Seja por não ter uma voz muito boa, não terem uma boa dicção ou por não se adaptarem a forma de atuar que a nova tecnologia exigia. Todas essas dificuldades foram mostradas no filme.

Outra cena que chama atenção é a negação e falta de visão de alguns produtores durante uma festa, quando uma mostra de um filme sonorizado é exibida, prevendo o fracasso do cinema falado, dizendo que aquilo não passava de uma diversão barata. Isso aconteceu muitas vezes na história, quando surgiram os automóveis, a TV, os CD’s, DVD’s, etc. Todos que estavam no topo com a tecnologia anterior, ao invés de tentar assimilar o futuro, tentaram de todas as formas manterem a tecnologia anterior. Até que a pirataria digital chegou.

Voltando ao filme, temos uma variedade de números musicais excepcionais. Muito dessa excepcionalidade deve-se ao caráter perfeccionista de Gene Kelly, que ensaiava todos os números exaustivamente e chegou a dublar o sapateado de Debbie Reynolds em algumas cenas.

Quer assistir a um musical excelente, recomendo Cantando na Chuva. É apaixonante.

Ficha Técnica: Singin’in the Rain (1952) Direção: Stanley Donen e Gene Kelly – Roteiro: Betty Comden e Adolph Green – Elenco: Gene Kelly, Donald O’Connor, Debbie Reynolds, Jean Hagen, Millard Mitchell, Cyd Charisse, Douglas Fowley, Rita Moreno, Madge Blake, Kathleen Freeman, John Dodsworth, Judy Landon, King Donovan, Jimmie Thompson.

Fonte: Coleção Folha Clássicos do Cinema
Fotos: Google

sábado, 25 de abril de 2009

Rio Bravo.


Um filme do eterno caubói John Wayne, dirigido pelo excepcional Howard Hawks, com a participação do astro cantor Ricky Nelson, tendo Walter Brennan como o hilário assistente do xerife e com uma Angie Dickinson no auge da sua beleza, porém quem brilha durante o filme é o ex-escada (um genérico de Dedé) do comediante Jerry Lewis, o ator e cantor Dean Martin.

Neste western Martin exorciza o tipo galã que sempre fez e interpreta um pistoleiro alcoólatra que luta contra o vício, numa interpretação inspirada e chegando a ser tocante em alguns momentos. Não me arrisco a dizer que esta foi sua melhor interpretação, já que Martin teve uma carreira super vitoriosa no cinema, na TV e como cantor, principalmente depois de desfazer a parceria com Jerry Lewis.

Este filme, um dos clássicos do gênero, batizado no Brasil de “Onde Começa o Inferno”, mostra um xerife (John Wayne) de uma cidade no Texas, tendo que manter prisioneiro, um membro de uma das famílias ricas e poderosas da região, preso por assassinato. Obviamente que seu irmão e dezenas de capangas e assassinos irão tentar libertá-lo até o final do filme. Ao seu lado o xerife tem seu ajudante alcoólatra (Dean Martin) e um carcereiro velho e manco (Walter Brennan). No decorrer do filme consegue a ajuda do excelente pistoleiro, porém hesitante Colorado (Ricky Nelson). Para complicar ainda mais a situação do xerife aparece na cidade a belíssima Feathers (Angie Dickinson), que rouba o coração do xerife.

Apesar das 2h20 minutos de duração, este western é bem movimentado e mostra os heróis saindo de situações adversas quase o filme todo. Altamente recomendado.

Ficha Técnica:
Rio Bravo (1959) Direção: Howard Hawks – Roteiro: Jules Furthman e Leigh Brackett – Elenco: John Wayne, Dean Martin, Ricky Nelson, Angie Dickinson, Walter Brennan e Ward Bond.


Fonte: Coleção Cinemateca Veja.
Imagens: Google.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Estranhos num Trem.

Dois sujeitos se encontram num trem que viaja pelos Estados Unidos na década de 50. Num roçar de sapatos, os dois começam uma conversa que descamba para um plano maluco elaborado por um deles que acabaria com os problemas dos dois, porém culminaria em dois assassinatos. Esta é a premissa básica do filme Pacto Sinistro, dirigido pelo mestre do suspense Alfred Hitchcock.

E quem assistiu a este filme entendeu perfeitamente porque o rotundo cineasta inglês é considerado o mestre desta categoria. Desde a cena do assassinato ocorrido no parque de diversões até o final apoteótico no carrossel, vemos as marcas registradas do mestre, um apuro visual, inusitados ângulos de câmera e principalmente o alongamento de cenas que geram no expectador aquela angústia em saber seu desfecho. A sequência do jogo de tênis é fenomenal.

Apesar de ser um filme antigo, em preto e branco, com algumas situações insólitas para os dias atuais, como os cúmplices falarem ao telefone a polícia não monitorar, além e um efeito especial mambembe no final, mas que está de acordo com a tecnologia disponível na época, e isso temos que levar sempre em consideração, Pacto Sinistro está longe de ser datado. É um filme que nunca ficará velho e deveria ser revisto por muitos cineastas atuais que desperdiçam dinheiro criando filmes medonhos.

Ficha técnica: Strangers on a Train (1951) Direção: Alfred Hitchcock - Roteiro: Raymond Chandler e Czenzi Ormonde – Elenco: Farley Granger, Ruth Roman, Robert Walker, Leo G. Carroll, Patricia Hitchcock, Kasey Rogers (Laura Elliott), Marion Lorne, Jonathan Hale, Howard St. John e Robert Gist.

Fonte: Coleção Folha Clássicos do Cinema
Imagens: Google.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Utilizando filmes na sala de aula.


Quando comecei a dar aula, imaginei maneiras diferentes de ministrar conhecimento aos alunos. Imediatamente pensei como utilizar duas das minhas paixões, o cinema e os quadrinhos, para ajudar os alunos a memorizar o conteúdo aprendido. Não consegui encontrar uma forma barata e eficaz de utilizar os quadrinhos. Já com o cinema, fui muito feliz, pois consegui achar filmes que pudessem transmitir com facilidade tudo aquilo que gostaria que os alunos aprendessem. Além disso, pude utilizar minha videoteca particular com uma utilidade muito maior do que emprestar aos amigos, não que isso seja uma perda de tempo.


Quando ministrei Administração do Tempo, tive em mente sempre, que deveria propor aos alunos, uma relexão sobre o que eles entendiam em relação ao tempo e sua utilização. O filme "O Clube do Imperador" além de permitir uma reflexão sobre o tempo, mostra a conturbada e gratificante relação entre alunos e professores. Após o filme, mantivemos um debate de quase uma hora sobre todos os aspectos do tempo, da ética e da vida, mostrados no filme. Pedi aos alunos que redigissem um texto dizendo o que esperavam da sua vida nos próximos 25 anos. Quando terminaram pedi que eles guardassem o texto e o lessem apenas daqui a 25 anos e comparassem quais eram suas expectativas e o que tinham realizado.


"The Emperor's Club" - 2002 - Direção: Michael Hoffman - Elenco principal: Kevin Kline, Emile Hirsh, Embeth Davidtz, Rob Morrow e Paul Dano.


Já para as aulas de Ponto-de-Venda e Merchandising, não consegui achar um filme que apresentasse todos os aspectos desenvolvidos durante as disciplinas, porém utilizei trechos de vários filmes, sempre colocando a cena em discussão para que os alunos pudessem abstrair, interpretar ou relacioná-la ao conteúdo da matéria:

Monty Python - Em Busca do Cálice Sagrado: utilizei a cena do recolhedor de mortos para discutir o senso de oportunidade e a ética profissional.




"Monty Python and the Holy Grail" - 1975 - Direção: Terry Gillian - Elenco Principal: Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Gillian, Terry Jones e Michael Palin.




Monty Python - O Sentido da Vida: a cena do transplante de orgãos vivos gera uma discussão sobre a ética profissional e a completa e correta divulgação de benefícios dos produtos e serviços oferecidos ao consumidor.


"The Meaning of Life" - 1983 - Direção: Terry Jones e Terry Gillian - Elenco Principal: Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Gillian, Terry Jones e Michael Palin.




Monty Python - A Vida de Brian: Brian fugindo dos romanos e tentando comprar uma barba postiça na barraca de um mercador pechinchador, serve de analogia ao vendedor que não consegue entender o que seu cliente realmente deseja.


"Life of Brian" - 1979 - Direção: Terry Jones - Elenco Principal: Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Gillian, Terry Jones e Michael Palin.






Náufrago: o começo do filme pode ser utilizado para discutir sobre a distribuição de produtos e sobre a prestação de serviços.



"Cast Away" - 2000 - Direção: Robert Zemeckis - Elenco principal: Tom Hanks e Helen Hunt.





O Fabuloso Destino de Amelie Poulain: na cena em que Amelie procura por informações junto ao dono da barraca de frutas, podemos discutir a relação entre patrão e empregado e como não se influenciar pelo estado de espírito do chefe.

"Le Fabuleux Destin d'Amelie Poulain" - 2001 - Jean-Pierre Jeunet - Elenco principal: Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Rufus, Jamel Debbouze e Dominique Pinon.





Domésticas: neste filme pouco conhecido do diretor Fernando Meirelles, utilizei duas cenas, a primeira uma das domésticas do filme, vai procurar notícias da filha numa loja de produtos de umbanda, onde podemos analisar como atender bem o cliente, mesmo que ele não compre nada e na segunda, a desastrada Quitéria comete um equívoco no seu primeiro dia de trabalho, onde podemos discutir a questão da informação e de como utilizá-la para evitar problemas no trabalho.

Domésticas - 2001 - Direção: Fernando Meirelles e Nando Olival - Elenco principal: Cláudia Missura, Graziela Moretto, Lena Roque, Olivia Araújo, Renata Melo e Tiago Moraes.




Mocinho Encrenqueiro: Jerry Lewis é um espião atrapalhado da indústria cinematográfica e num determinado dia é convocada para substituir a atendente de uma loja de doces. Aqui, aprendemos tudo o que não devemos fazer no ponto-de-venda.


"The Errand Boy" - 1961 - Direção: Jerry Lewis - Elenco principal: Jerry Lewis, Bryan Donlevy e Kathleen Freeman.




Seabiscuit - Alma de Herói: nos primeiros minutos deste filme, temos ganchos para falar da linha de montagem, da localização e layout do ponto-de-venda, da escolha do produto/serviço certo e do senso de oportunidade.


Seabiscuit - 2003 - Direção: Gary Ross - Elenco principal: Jeff Bridges, Tobey Maguire, Chris Cooper e Elizabeth Banks.





Kill Bill - Vol I: quando "A Noiva" viaja para o Japão ela é atendida por um sushiman que não é bem o que parece. Nesta cena podemos discutir como evitar envolver o cliente nos problemas da empresa.


"Kill Bill: Vol 1" - 2003 - Direção: Quentin Tarantino - Elenco principal: Uma Thurman, Lucy Liu, Daryl Hannah, David Carradine, Michael Madsen e Sonny Chiba





Moulin Rouge - Amor em Vermelho: neste filme podemos utilizar a primeira visita ao Moulin Rouge até o momento no qual Satine termina seu show de forma dramática. Aqui a discussão gira em torno do layout do PDV, atmosfera de compra e busca por investimento para aprimorar o negócio.


"Moulin Rouge!" - 2001 - Direção: Baz Luhrmann - Elenco principal: Ewam McGregor, Nicole Kidman, John Leguizamo, Jim Broadbent e Richard Roxburgh.




Pulp Fiction - Tempo de Violência: a cena na qual Vincent Vega leva Mia Wallace para jantar no restaurante Jack Rabit Slim's, podemos levantar o debate em torno da tematização do PDV e da relação preço/valor.


"Pulp Fiction" - 1994 - Direção: Quentin Tarantino - Elenco principal: John Travolta, Samuel L. Jackson, Tim Roth, Amanda Plummer, Bruce Willis, Ving Rhames e Uma Thurman.




Trapaceiros: assaltantes trapalhões descobrem por acaso como ficar milionários. Aqui temos ganchos para falar de senso de oportunidade, sorte, franquia e profissionalização da administração.


"Small Time Crooks" - 2000 - Direção: Woody Allen - Elenco principal: Woody Allen, Tracey Ullman, Michael Rapaport, Tony Darrow, Jon Lovitz, Brian Markinson, Elaine May e Hugh Grant.




Chocolate: os primeiros quinze minutos deste filme são uma aula completa sobre como localizar e montar um PDV, distribuição eficiente e atmosfera de compra.



"Chocolat" - 2000 - Direção: Lasse Hallström - Elenco principal: Juliete Binoche, Alfred Molina, Carrie-Anne Moss, Judy Dench, Johnny Deep, Lena Olin e Victoire Thivisol.



Espero ter ajudado alguns educadores que por ventura passem por aqui e por favor, não ousem deixar de comentar, lembrando que é de graça.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Quem vigia os vigilantes?



O excelente site sobre entretenimento Omelete, liberou o trailer do filme Watchmen legendado e com uma pequena introdução do diretor Zack Snyder. Clique aqui para assistir.

Watchmen é uma das melhores HQ’s de todos os tempos e sem dúvida a melhor quando se trata de super-heróis. Desde o anúncio do filme, a comunidade nerd (se é que isso existe) aguardava ansiosamente por alguma novidade, apesar da divulgação de fotos que até aqui retratavam a HQ fielmente.

Mesmo tendo feito um trabalho soberbo em 300de Esparta, os fãs de HQ’s ficaram apreensivos com a escolha do estúdio pelo diretor Zack Snyder, por dois motivos, o primeiro pela grandiosidade da obra, que além da HQ em si, possui alguns elementos adicionais que fazem parte integral da história, como os Contos do Cargueiro Negro e os trechos do livro Sob o Capuz, entre outros, o segundo motivo tem relação com a obra do autor. Até hoje, nenhuma HQ de Alan Moore tinha sido retratada fielmente no cinema, a que chegou mais perto foi V de Vingança, mesmo assim as diferenças entre filme e HQ forma marcantes.

Outro detalhe é que esse projeto já passou pela mão de uma gama de diretores do mais alto calibre e que mesmo assim, não tinham conseguido convencer os executivos da Warner em tocar o projeto. Ponto positivo pra Snyder.

Além disso, o diretor só tem dois filmes no currículo, Madrugada dos Mortos e 300. Embora 300 de Esparta tenha seu roteiro baseado numa HQ, o trabalho é totalmente diferente, porque 300 tem uma história mais rápida e direta, tanto que o diretor teve que alongar o roteiro, porque senão teria um filme de 30 ou 40 minutos. Já no caso de Watchmen ele terá que cortar muito material, pois o roteiro da HQ é suficiente para produzir uma série televisava com 20 capítulos ou mais.

Os receios dos fãs quanto à capacidade do diretor, acabam após a divulgação deste trailer, porque ao que tudo indica seguirá o roteiro da HQ ao pé da letra. Todas as cenas marcantes estão lá, a morte do comediante, a transformação do Dr. John Osterman em Dr. Manhatan, a Guerra do Vietnã e outros detalhes que todo fã ao ver vai babar.

Se você não leu ainda a minissérie aproveite para emprestar de algum amigo nerd, ou ainda comprar a mais nova versão lançada pela Via Lettera, porque o filme só estreará em 6 de março de 2009. Garanto que você vai gostar, mesmo que nunca tenha lido uma história em quadrinhos na vida.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ennio Morricone - The Good, the bad and the ugly (concert)

Trilha Sonora do filme O Bom, o mau e o feio.

O Bom, o Mau e o Feio.



Não, eu não estou falando de FHC, Collor e Lula, estou falando do terceiro e último filme da trilogia dos dólares do diretor italiano Sérgio Leone, também intitulado no Brasil como Três Homens em Conflito. Este filme foi o ápice do chamado Western Spaghetti, inventado pelo próprio Leone e registrado nos filmes Por uns Punhados de Dólares e Por uns Dólares a Mais. Também foi o início da carreira bem sucedida de Clint Eastwood, até então tinha feito filmes sem muita expressão e estrelado o seriado Rawhide, porém depois do seu papel nos filmes de Leone e de Dirty Harry, sua carreira se consolidou e ele mesmo contribuiu para tornar-se o grande astro que é atualmente.

Neste filme acompanhamos a história de Tuco Ramirez, o feio, Olhos de Anjo, o mau (grafado incorretamente na capa do DVD com “L” no final) e Blondie, o bom, interpretados respectivamente por Eli Wallach, Lee Van Cleef e Clint Eastwood. O feio e o bom, que de bom mesmo não tem quase nada, vivem de aplicar golpes nas cidades, até que se desentendem e passam o resto do filme querendo passar a perna um no outro. O mau está atrás de um homem que sabe o segredo de um tesouro enterrado.

O caminho destes três se cruza e todos saem atrás da verdade sobre o tesouro escondido, até que tudo se resolverá no duelo final. Apesar de ser filmado na Itália e a maioria dos atores serem italianos, excluindo os protagonistas, este filme tem todas as características de um bom western. Um vilão horripilante, exímios pistoleiros, ambiguidade de caráter e a busca por dinheiro roubado.

Outro detalhe importante é que a trama é desenvolvida durante a Guerra Civil Americana, também conhecida como Guerra da Secessão, que durou de 1861 a 1865
e que dividiu os Estados Unidos em duas facções, uma ao norte liderada pelo General Grant e outra ao sul liderada pelo General Lee, que apoiava o presidente Lincoln, um antiescravagista execrado pelos estados do sul, partidários da continuidade da escravidão. 620.000 americanos morreram nesta guerra.

Os três protagonistas são totalmente apartidários, tomando partido apenas quando lhes convêm, durante todo o filme. Em uma das partes, o personagem de Clint Eastwood observa uma batalha entre confederados e federados, comentando da seguinte forma: “Nunca vi um desperdício de vidas deste jeito.”

O caráter dos personagens é outro fator importante da trama. O feio é totalmente imoral, mas tem um lado engraçado e bonachão, até por isso torcemos para que ele se dê bem no final. O mau, esse sim é terrível e encarna o estereótipo dos vilões de bang bang. O bom, na verdade não é tão bom assim, ele segue um código de honra próprio e aplica a justiça de acordo com o que acredita. Mais uma representação para o id, o ego e o superego.

A trilha sonora de Ennio Morricone é, como sempre, maravilhosa e o tema principal você já deve ter ouvido pelo menos uma vez na vida.

O filme tem o ritmo lento das produções de Leone, mas também tem a assinatura da trama intrincada com reviravoltas e situações de humor sutil e negro. O western tem muito a ver com a nossa sociedade atual, que possui uma violência desenfreada, um hedonismo latente, corrupção e uma busca por riqueza sem limites. O tempo passa e as coisas continuam as mesmas.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Larry Flint e a liberdade de expressão

Larry Flint é um cara polêmico. Por um lado, ele trabalha na indústria da pornografia, que por mais profissional que seja, tem um lado muito negativo da exploração sexual feminina, sem contar outras ramificações muito mais agravantes. Por outro lado, ele é um dos maiores defensores da liberdade de expressão que os EUA já tiveram.

Quem quiser conhecer melhor a história deste grande maluco, pode conferir no excelente filme “O Povo Contra Larry Flint” do diretor tcheco Milos Forman, que dirigiu também Um Estranho no Ninho e Amadeus, só para citar os mais famosos.

O Filme é tanto sobre a carreira polêmica deste milionário editor de pornografia, quanto do seu amor peculiar por sua mulher Althea Flint. Larry era sócio de seu irmão Jimmy num clube de streap-tease a beira da falência. Pensando em divulgar suas dançarinas, criou uma revista com fotos delas nuas e como o impressor o aconselhou, colocou textos para compor a publicação. Seus primeiros números, não foram tão eficientes, mas ele conseguiu fotos exclusivas de Jaqueline Onassis Kennedy nua e a trajetória milionária da revista Hustler começou. Obviamente as ligas da honra, começaram uma cruzada contra a revista de Larry.

Ele então conheceu aquele que foi o grande responsável pela sua maior vitória nos anos vindouros na suprema corte dos EUA, o advogado Alan Issacman. Alan não só apoiou Larry Flint como suportou toda a loucura do seu cliente, que não se curvava a nenhuma convenção social, inclusive as dos tribunais. Ele chegou ao ponto de ser amordaçado num tribunal porque não respeitava o Juiz. Essa ousadia toda teve um preço, Larry e Alan foram baleados quando saíam de uma das inúmeras audiências das quais participaram. Alan ficou ferido, mas sobreviveu sem seqüelas, já Larry Flint ficou paralisado da cintura para baixo pro resto da vida.



O elenco está impecável. Woody Harrelson faz um Larry Flint apaixonante, talvez no melhor papel de toda a sua carreira, Courtney Love – sim, ela mesma, a viúva de Curt Cobain e vocalista do Hole – interpreta de forma surpreendente a mulher de Flint e o sempre correto Edward Norton, fazendo aquilo que nasceu pra fazer, atuar de forma perfeita. Duas curiosidades no elenco são, a presença do verdadeiro Larry Flint como um juiz reacionário da Geórgia e de Brent Harrelson como Jimmy Flint, irmão na realidade e na ficção.

Polêmico, empreendedor, maluco, apaixonado, corajoso, nojento. Todos esses adjetivos cabem a Larry Flint, que muito provavelmente terá um legado mais negativo do que positivo, porém temos que lembrar que a luta pela liberdade de expressão empreendida por ele, não cabendo a nós julgar o motivo, deve sempre ser lembrada como um ato de coragem contra a hipocrisia generalizada da sociedade.

Recomendo este filme a todos os congressistas que pensam em barrar a entrada do CQC no Congresso e a todos aqueles que querem tirar programas do ar e cabcelar publicações, deixem o público decidir.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Era uma vez um filme eterno.

Existem muitos tipos de filmes. Aqueles que você assiste e odeia, aqueles que você assiste, se diverte e esquece em cinco minutos, aqueles emocionantes e aqueles que você deveria assistir ao menos uma vez por ano. O Poderoso Chefão I e II, Chinatown, 2001 – Uma Odisséia no Espaço, Lawrence da Arábia e alguns outros estão inseridos na última categoria.

Uma dessas obras-primas do cinema pertence ao gênero western, foi dirigida por um italiano, com uma atriz italiana, com dois astros americanos e foi filmado na Itália, Espanha e EUA. “Era Uma Vez no Oeste”, foi realizado por Sérgio Leone (1929-1989) que era um apaixonado pelo gênero e ficou famoso por criar um sub-gênero chamado western-spaghetti, porque os filmes eram produzidos na Itália. Seus filmes mais famosos ficaram conhecidos como a trilogia dos dólares, “Por um Punhado de Dólares”, “Por uns Dólares a Mais” e “Três Homens em Conflito”. Além de lançarem um gênero, estes filmes revelaram o talento de um famoso ator e diretor de Hollywood, premiado com vários Oscar’s, Clint Eastwood.

Porém, sua obra-prima para o gênero, só seria feita em 1968, dois anos após o término da trilogia dos dólares. Na verdade o grande projeto de Sérgio Leone e também seu canto do cisne seria “Era Uma Vez na América”, mas o estúdio que financiaria seu grande filme exigiu que ele fizesse um western antes. Eles só não sabiam duas coisas, a primeira é que o filme não foi um sucesso imediato, nem de crítica, nem de público e segundo que anos depois ele seria reverenciado por grandes nomes do cinema, como o próprio Clint Eastwood, John Carpenter e outros.

Outro fator importante do filme foi o elenco. Quatro personagens principais, Jill McBain, Harmônica, Frank e Cheyenne, foram interpretados por Cláudia Cardinale, Charles Bronson, Henry Fonda e Jason Robards, respectivamente. Henry Fonda fez neste filme o único papel de vilão de toda a sua carreira. E que vilão. Você fica com medo, toda vez que ele aparece. Cláudia Cardinale está belíssima, Charles Bronson está perfeito como o assassino da Harmônica e Jason Robards faz um papel dúbio, quase um anti-herói. A trilha sonora é inesquecível e possui quatro temas principais, um para cada personagem. As locações, principalmente as de Monument Valley no Arizona, estão impecáveis.

Apesar de suas três horas de duração, vale muito a pena assistir esse clássico do western, um gênero que cedo ou tarde acaba reaparecendo com clássicos como Os Imperdoáveis e mais recentemente com o remake de Galante e Sanguinário, rebatizado de Os Indomáveis, com os astros Russell Crowe e Christian Bale.